Resenha: 50 anos a Mil (Livro)

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50 anos a mil veio na mesma compra que o My Bloody Roots (autobiografia de Max Cavalera) entre outros que serão resenhados futuramente. Paguei barato e confesso que me surpreendi (talvez) bastante com praticamente tudo que li.

É capaz que no decorrer dessa resenha, venham a surgir várias contradições… Digo isso porque ao escrever as resenhas anteriores, tive vontade de ouvir algo relacionado ao livro,  como por exemplo ao resenhar My Bloody Roots, tive uma vontade quase que absurda de ouvir Soulfly (já ouvi e estou satisfeito), banda essa que conhecia a fundo o primeiro disco, mas não os outros, vontade despertada graças ao livro. Agora,  neste caso aconteceu apenas para ouvir Vida Bandida numa breve curiosidade que tive.

Bom, o lançamento do livro foi para celebrar os 50 anos do Lobão, artista este que ao mesmo tempo consagrado na Música Popular Brasileira, foi e/ou ainda é odiado por grande parte da mídia e público geral. Amicíssimo de Cazuza, Marina Lima, Lulu Santos entre outros que vieram a se tornar grandes referências para o Pop Rock Nacional que reinava nos idos da década de 80, Lobão se firmou como grande compositor e um “hitmaker” digamos que, mediano com sucessos como Rádio Blá, Me Chama, Vida Bandida, entre outra dúzia de canções.

Ele trata sobre sua infância, adolescência, passagem pelo Vímana (super banda de Rock Progressivo da década de 70 a qual Lulu Santos fazia parte), polêmicas, uso e abuso de tóxicos e também sua sua passagem pela cadeia! Nos fornece ótimas histórias, bem interessantes e absolutamente divertidas, como quando deu seu primeiro beijo, namoricos na adolescência e tratos da infância, quando sua mãe ia chamar o jovem João Luiz na rua e o gritava pelo carinhoso apelido de XURUPITO! Sua passagem pelo Rock in Rio II o qual foi hostilizado pelo público do Sepultura, sua fuga para os Estados Unidos, sua participação em tiroteio na favela contra a polícia do Rio de Janeiro, como obteve sua carteira de motorista (acreditem, é uma ótima história), entre várias outras…

Detalha também uma pequena-grande rixa com Hebert Vianna (Os Paralamas do Sucesso) sobre supostos plágios e conta também sobre o acidente que fez com que perdesse praticamente todos os movimentos de sua mão (não lembro qual) e todo o processo de recuperação em detalhes.

O ápice com toda certeza é quando narra sua passagem pela cadeia em 1987 e um período após, quando teve um forte contato com o Morro da Mangueira (que na época era fortemente comandada por traficantes) e que o mesmo roqueiro visto com maus-olhos pela mídia, desfilou pela escola em 1988 graças a Elza Soares.

Pena que o livro quando vai chegando ao seu fim, parece que nada de tão legal ocorreu, detalha de uma forma dada algumas composições, mas conta sobre sua ideia de lançar o CD junto com uma revista, o sucesso dessa empreitada, sua não tão curta passagem como apresentador de TV e sua luta vencida a favor da numeração de CDS, que foi absolutamente em prol para que os artistas tivessem o controle de suas vendas e não tomassem “balão” das gravadoras, que geravam números falsos naquela ocasião.

50 anos a mil conta com várias fotos legais, entrevistas no final, além de no decorrer de cada capitulo, algo como “Lobão na mídia”, que reúne todas as notícias relacionadas a ele, sendo que a maioria soa de uma forma difamatória, tendenciosa e absolutamente sensacionalista (se hoje a coisa funciona mais ou menos assim ao se tratar de algum artista ou sei la, pessoa pública, tentem imaginar o quanto era corriqueira essa prática nos anos 80?). De fato, Lobão é o tipo de cara chato-divertido com ótimas histórias e que graças aos seus 50 anos, fez questão de compartilhar com todos através deste livro.

O livro possui boas 591 páginas e não faz com que seja algo chato de se ler. Foi lançado em 2010 pela Editora Nova Fronteira.

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Este post foi publicado em 28 de junho de 2014 às 1:45 am. Ele está arquivado em Resenha literária e marcado , , , , , , , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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