Eis que começo o ano de 2012 (somente hoje, dia 19!) com o pé direito… Sem enrolar muito, o bicão inicial para este que não pretendo deixar a esmo como deixei no ano passado é a entrevista com a banda Fronte! Antes de mais nada, gostaria de agradecer ao Fronte e principalmente ao Yuri, Farinha e ao Pedro que responderam a entrevista. Valeu galera!!!
O Fronte surgiu no meio de 2010 tocando cover do Dead Fish, a príncipio como diversão e a vontade de fazer um som entre amigos. A banda conta com com Yuri Coppe (Lactobacilos Vivos) na guitarra, Raphael Farinha (Janeiro) na bateria, Bruno Tinho (Flanco/Promessa) nos vocais, André no baixo e Pedão (Zizenes) na guitarra!
Lançaram o EP de forma totalmente independente em novembro do ano passado, além de ter disponibilizado pouco tempo antes para download gratuito, totalizando até então cerca 150 downloads! O caso mais que comum (acredito que seja assim em todo Brasil…), é quando uma banda surge e ela luta para garantir o seu “lugar ao sol”. No caso do Fronte, conseguiram isso ao lançar um EP de excelente qualidade, com riffs realmente poderosos e marcantes, letras de cunho social (nos moldes do Dead Fish) e com uma das cozinhas mais coerentes e coesas que já vi até então. O EP conta com 6 músicas, todas elas com extrema dignidade e uma produção simplesmente foda! Impossível destacar somente uma música e na boa!? Clique aqui e baixe o EP de graça! Tá com preguiça de baixar? Clique aqui e escute! Quer conhecer mais sobre a banda? Clique aqui, acompanhe os passos da banda, fique sabendo dos próximos shows e entrem em contato.
ENTREVISTA:
- Sei que todos são amigos de muito tempo. Como que chegaram ao ponto do ”Vamos montar uma banda”?
Pedro: Todo mundo já tinha banda, por coincidência as bandas meio que foram acabando ao mesmo tempo. Farinha e eu já tínhamos a idéia de montar uma banda de hardcore e o Yuri estava com a mesma idéia, então chamamos o Andrézim que tocava baixo com a gente em outra banda e o Tinho que estava sem banda.
- Como vocês caracterizam a cena em Brasília nos dias de hoje?
Pedro: Tem banda boa pra caralho, o foda é que, não tem espaço. Muito em função do público também, que prefere ir para a play (N.E. festa com DJS e gente moderna…) do que ir para os shows, tanto que tá foda marcar shows na sexta-feira. Ultimamente tem melhorado bastante, mas falta muito ainda.
- O assunto é um pouco batido mas não custa nada perguntar… O que vocês acham da Internet com relação às bandas hoje em dia? (Myspace, Bandcamp, Soundcloud e afins.) Ajuda, atrapalha, não fede e nem cheira… Enfim, o que vocês acham sobre isso?
Yuri: Essa tal de internet veio pra ficar né (rs). Ela facilita muito o contato e a exportação, você mesmo sabe disso pelo Agamenon Project. Por outro lado tem muita coisa pra ouvir e ninguém acaba escutando nada direito. Eu gosto de gastar tempo pesquisando bandas e ouvindo cada uma delas com calma.
- Ultimamente vejo o Dead Fish como uma banda que apesar da superexposição na mídia, não teve aquela alavancada tanto quanto o CPM22. Mesmo sabendo que o Dead Fish prefere o “underground”. O que vocês acham a respeito disso!?
Yuri: Principalmente o que diferencia o Dead Fish do CPM 22 são as letras. O Dead Fish expõe muita coisa que a mídia não quer que seja citada. Tanto que o Dead Fish tá aí né. Cadê o CPM?
Pedro: Mesmo o Dead Fish não vingando, como as pessoas achavam que ia vingar, eu acho que eles foram muito longe, considerando a cultura do nosso país e o estilo musical e a mensagem do Dead Fish. É compreensível eles não terem durado tanto no mainstream, pois a mensagem e a proposta é totalmente oposta do que é vendido normalmente.
- Pra quem tem seus 23/25 anos, já sobreviveu a todo tipo de porcaria existente na face da terra. Foram as importações de boybands e girlbands, Pagode na guela, Axé na orelha… Enfim, o que vocês acreditam que exista de rolando pior?
Yuri: Moda é foda. Não consigo escutar a mesma música 3 vezes seguidas e isso me incomoda muito. Acho que qualquer coisa que toca mais de uma vez num intervalo de meia hora fica chato e acaba virando lixo. E esse tal de sertanejo universitário tá beeem chato.
Farinha: Na verdade essas bandas de antigamente e de hoje são a mesma coisa, são só mais um produto da indústria musical, eu não vejo nenhuma diferença entre o Backstreet Boys, o Cine ou o Luan Santana. É a mesma supervalorização da imagem, as letras continuam banais e os refrões clichés. Os estilos da moda mudam, mas a fórmula é a mesma.
- Infelizmente, ainda não tive a chance de ouvir o cd físico, somente o divulgado na internet. Como foi o processo de composição, gravação, mixagem e afins?
Yuri: O seu tá guardado lá em casa. A gente sempre se reúne pra compor as músicas e por isso acaba tendo dedo de todo mundo em tudo. Acho que é assim que tem que ser. Fica chato quando a banda são só uma ou duas pessoas produzindo.
Pra gravar, reduzimos os bpm’s um pouco pra sair tudo sair certinho e não ficar muito bagunçado. O processo todo foi no Fm2audio, que fica no quintal da casa do Marco. Cada um gravou em dois ou três dias. Timbramos as guitarras em quinze minutos e o resultado realmente me agradou, aliás foi o que eu mais gostei.
Temos dois designers na banda então queria que o encarte fosse no mínimo interessante. Tinha que ser algo barato e relativamente fácil de fazer, apesar que o André inventou umas dobras que fizeram a gente virar duas noites fazendo (fila da puta).
O resultado final realmente me agradou e acho que agradou o público também.
- Quais são as principais influências da banda e como ela surte efeito no som de vocês?
Yuri: Rise Against, A Wilhelm Scream, This is A Standoff, Dead Fish, Garage Fuzz, Bad Religion e Nofx. Acho que essas bandas resumem bem nossas influências. Como a gente escuta essas bandas a muito tempo, a influência é muito natural.
- Mesmo tendo lançado o EP na internet um pouco antes do show de estréia, como vem sendo a aceitação do público?
Yuri: Ninguém conhecia muito as músicas né, mas eu juro que ouvi alguém cantando junto (rs). Acabou criando muita expectativa em cima da banda e podia ter sido um desastre, mas foi exatamente o contrário. Recebemos muitos elogios sobre o EP e também sobre o show.
Pedro: A aceitação tem sido boa, mas no show de estréia a gente podia ter tocado melhor (rs).
- Falando sobre as dificuldades/facilidades de produzir algo no hardcore… Quais as principais mudanças que vocês veem em relação do ano de 2012 com o ano 2000?
Yuri: Hoje todo mundo tem um Home Studio. É mais fácil gravar, divulgar e se foder também.
- Não sei se é impressão minha, mas há algum tempo não vejo mais lançamentos como antigamente. Tem sido algo raro escutar um disco que seja tão impactante quanto o “Afasia” do Dead Fish ou, até mesmo o “A história não tem fim” do Dance of Days. O que vocês acham sobre isso, a qualidade das bandas brasileiras caíram de lá, pra cá?
Yuri: Provavelmente é impressão. Esses discos realmente marcaram muito mas tem muitas bandas boas surgindo e conquistando espaço. Só acho que a diferença entre elas é pequena. Não surgiu nada extremamente novo, mas a qualidade das bandas só tem aumentado.
Pedro: Eu também acho que a qualidade das bandas aumentou! Só nesse ano de 2011 tivemos o Plastic Fire, Zander, Bullet Bane e Pense, com lançamentos muito bons.
- Quanto as influências nas composições da banda como rolou e o que vocês têm escutado ultimamente?
Yuri: Eu escuto muita coisa, de Slipknot à Melody Gardot. Mas o que mais me influência na guitarra é o Blues.
Pedro: Tenho escutado muito Seasick Steve que é um maluco que faz os próprios instrumentos e coloca distorção no banjo. Conheci umas bandas bem boas ultimamente, Balance & Composure, Dilemma, Close Your Eyes, Pense, etc.
- A pergunta é idiota mas eu acho boa e pretendo perguntar a todos que eu for entrevistar… O que vocês acham de Motley Crue?
Todos: Muito ruim sáporra (rs)
- E essa coisa toda do tal de “ser hipster”? O que vocês entendem por isso?
Pedro: Velho, é foda falar disso. Eu acho zuado pra caralho, mas cada um faz o que quer. Acho que uma hora isso passa (rs).
- Quais os 5 melhores discos pra vocês? (Não importa se é nacional ou internacional…)
Todos: Perguntinha difícil essa hein. Vamo lá:
- Bad Religion - The Empire Strikes First
- Dead Fish – Afasia
- NOFX – Punk In Drublic
- A Wilhelm Scream – Career Suicide
- Metallica – Death Magnetic
- Pra finalizar, o espaço é livre pra vocês.
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